Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Cabo Verde – Marinha portuguesa realiza trabalhos científicos

O navio hidrográfico da Marinha D. Carlos I, com uma equipa do Instituto Hidrográfico embarcada, encontra-se atracado no porto do Mindelo, Cabo Verde, para realizar trabalhos de recolha de informação do fundo naquela região.

Estes trabalhos, actualmente a serem realizados no Porto Novo, permitirão a Cabo Verde “actualizar a sua cartografia náutica e assim incrementar a informação de segurança marítima a disponibilizar aos navios e embarcações que navegam na região e visitam os seus portos comerciais”, explica um comunicado da Marinha Portuguesa.

Antes de atracar no Mindelo, o NRP D. Carlos I realizou trabalhos para a recolha de informação do fundo nas ilhas da Boavista e do Sal, em específico nos portos de Sal-Rei e da Baía da Palmeira.

O navio da Marinha irá ainda, com recurso à tecnologia de ponta multifeixe instalada a bordo, realizar o levantamento hidrográfico do canal de São Vicente e de um banco a noroeste da ilha de Santo Antão, que permitirá obter informação com cobertura total do fundo.

Cooperação com Guarda Costeira de Cabo Verde

Também a guarnição do navio estará envolvida em acções de cooperação com os militares da Guarda Costeira de Cabo Verde, em especial no âmbito da partilha de informação nas áreas da emergência médica e suporte básico de vida e áreas técnicas da manutenção e operação de máquinas marítimas, acrescenta o mesmo comunicado.

Terminados estes trabalhos de natureza científica, o navio ainda irá visitar o porto da Praia em 28 de Novembro, para participar num seminário sobre segurança marítima, o qual contará com a presença de responsáveis militares e políticos da área da defesa de Portugal e Cabo Verde.

Os trabalhos de natureza científica, e demais actividades paralelas realizadas pela Marinha, inserem-se no conjunto de acções de cooperação técnico-militar entre Portugal e Cabo-Verde, no âmbito da iniciativa Mar Aberto 17 e que decorre sob égide da Direcção-Geral de Política de Defesa Nacional (DGPDN). João Borges – Portugal in “Agricultura e Mar Actual”

Açores – Lançamento do primeiro projecto de aquacultura offshore

O presidente do Governo Regional dos Açores assistiu no passado dia 16 de Novembro, na freguesia da Ribeira Quente, concelho da Povoação, à instalação do primeiro projecto de aquacultura offshore, tendo salientado que esta nova área de actividade representa a “abertura de novos horizontes para a rentabilidade que o mar tem para dar” aos Açores.

“Aquilo que nós estamos a assistir é à abertura de novos horizontes para a rentabilidade que o mar tem para dar à nossa Região”, afirmou Vasco Cordeiro, depois de ter assistido à apresentação dos quatro projectos de aquacultura em mar alto da empresa Aquazor, já aprovados, que serão instalados nas áreas definidas da Ribeira Quente, na ilha de São Miguel, no Porto Martins, na ilha Terceira, e na Feteira, na ilha do Faial.

Em declarações aos jornalistas, o presidente do Governo Regional adiantou que estes projectos traduzem os objectivos que presidem à aposta que o Executivo tem feito nesta área, ao nível da sustentabilidade, mas também do envolvimento das comunidades locais.

Nesse sentido, Vasco Cordeiro salientou que a integração das comunidades no desenvolvimento destes projectos constitui, assim, uma garantia acrescida do seu impacto positivo nas respectivas economias.

Aquacultura de algas e de peixe

“No que tem a ver com a aquacultura de algas e de peixe, este é um projecto inovador e que, no fundo, dá execução prática à aposta que o Governo dos Açores faz na abertura deste novo sector”, destacou o governante.

Vasco Cordeiro, que visitou também os trabalhos para a marcação e colocação das bóias oceânicas, realçou que o envolvimento do Governo neste processo incluiu, ainda, o mapeamento das áreas para a instalação offshore de aquacultura, assim como a disponibilização de fundos comunitários, no âmbito do Mar 2020.

O Governo dos Açores tem vindo a apostar no sector da aquacultura através de várias medidas, entre as quais a criação de áreas pré-definidas para a produção aquícola nas ilhas do Faial, Terceira e São Miguel.

A criação destas áreas, em 2016, resultou do mapeamento de zonas de ambiente costeiro e offshore com potencial para a aquacultura no arquipélago, realizado em 2015 e financiado pelo Governo dos Açores, que é disponibilizado gratuitamente aos empresários interessados.

A aprovação destas áreas permite aos investidores instalar e explorar a produção aquícola, através de um procedimento simplificado e mais célere, uma vez que os projectos não serão submetidos ao processo de pré-instalação necessário em qualquer área que não esteja previamente instituída, refere um comunicado do Governo Regional açoriano. João Borges – Portugal in “Agricultura e Mar Actual”

domingo, 19 de novembro de 2017

Diz sim










Vamos aprender português, cantando


Se for
para dar o passo
vou provar que dou
se assim for leve
esta canção
vem coração
se passeando
junto a mim
sentires, enfim
diz sim

Se passo a passo
me encostar
ao teu lugar
se deres o passo
como eu dou
verás quem sou
que é bom estar perto
dançar lento
junto a mim
diz sim

Meu lado fraco para ti
teu lado quase forte
não, não é tanto assim,
vem,
diz sim.
Diz sim.
Diz sim.

Meu lado fraco para ti
teu lado quase forte
não, não é tanto assim,
vem,
diz sim.
Diz sim.

Se quiseres dar o passo
para onde estou
e passo a passo
te encontrar
no meu lugar
ou quando a dança
da canção
te der razão…
Diz sim
então
diz sim
ai não…

Tiago Bettencourt – Portugal (letra e música)


Vanessa Da Mata - Brasil


sábado, 18 de novembro de 2017

Macau - Instituto Politécnico de Macau triplicará alunos de língua portuguesa até 2020

O ensino da Língua Portuguesa quase triplicará num intervalo de quatro anos no Instituto Politécnico de Macau, estando previsto um aumento do número total de alunos matriculados de 269 no ano lectivo anterior para 683 em 2020/2021. Este número inclui já os futuros cursos de Mestrado e Doutoramento que devem abrir, no próximo ano, com um total de 120 matriculados



As iniciativas desenvolvidas pelo Instituto Politécnico de Macau (IPM) vão “impulsionar um forte incremento do ensino da língua portuguesa” na instituição presidida por Lei Heong Iok. Graças a esses projectos, alguns já implementados e outros em marcha, a aposta no Português é já visível: este ano lectivo, o número de alunos subiu para 336 face aos 269 que se matricularam em cursos com o ensino da língua de Camões em 2016/2017.

Numa perspectiva a longo prazo, os números são ainda mais impressionantes: os cursos vocacionados para o ensino do Português podem vir a ser frequentados, em 2020/2021, por um total aproximado de 683 alunos – mais 414 do que os estudantes matriculados em 2016/2017. Os dados foram avançados ao Jornal Tribuna de Macau pelo director da Escola Superior de Língua e Tradução do IPM, Luciano Rodrigues de Almeida.

Este incremento – já notório no ano lectivo em curso, com o aumento de 67 alunos em cursos de Português face a 2016/2017 – resulta de uma série de projectos já postos em prática pelo Instituto Politécnico e que incluem tanto o ensino da Língua Portuguesa como a componente bilingue.

Este ano, a instituição académica abriu na Escola Superior de Línguas e Tradução (ESLT) a terceira turma diurna do Curso de Tradução Chinês-Português/Português-Chinês. Entraram 164 alunos, pelo que o curso em regime diurno passou a funcionar com três turmas. E, segundo as previsões, a mesma licenciatura irá receber um total de 275 estudantes em 2020/2021, mais 111 face ao actual universo de matriculados.

A ESLT abriu também este ano o curso de Licenciatura em Português tendo atraído 22 alunos, número que deverá crescer para 90 em 2020/2021.

De acordo com as mesmas projecções facultadas a este jornal, o curso de Relações Comerciais China-Países Lusófonos, leccionado na Escola Superior de Administração Pública, sofrerá um incremento de 51 alunos, atingindo um total de 100 matrículas em 2020/2021.

De um modo geral, o IPM acredita que só os cursos de ensino da Língua Portuguesa (sem contar com Mestrado e Doutoramento) irão registar um aumento de 221 alunos matriculados – passando de 336 este ano lectivo para 563 no ano curricular que terminará em 2021.

Mestrado e Doutoramento com mais de 100 alunos

Para além dos cursos já em funcionamento, o Instituto Politécnico de Macau tem também projectos de ensino que devem entrar em funcionamento no próximo ano lectivo. Neste sentido, a Escola Superior de Línguas e Tradução vai abrir, em 2018/2019, um Mestrado em Tradução e Interpretação Chinês-Português estando prevista a inscrição de 45 alunos – o mesmo número de matrículas projectadas para o futuro Mestrado em Língua e Cultura Portuguesa.

Por outro lado, ao nível do Doutoramento, prevê-se que 30 estudantes se matriculem no curso de Língua e Cultura Portuguesa, perfazendo um total de 120 inscritos. Desse modo, subirá para 683 o número de alunos matriculados e inscritos em Cursos de Ensino da Língua Portuguesa no ano lectivo 2020/2021.

“Neste momento, [o ensino do Português no IPM] já não é um projecto. É algo concreto que se está e vai desenvolver normalmente”, salientou o director da Escola Superior de Língua e Tradução, Luciano Rodrigues de Almeida.

Numa entrevista concedida a este jornal em Janeiro último, o docente apontou o reconhecimento do IPM como uma “referência para o ensino e aprendizagem da língua portuguesa”, fruto de um “trabalho muito sério que vem sendo desenvolvido há mais de duas décadas e que honra e orgulha todos quantos nele trabalham”.

Apesar do forte impulso do ensino do Português no IPM que se perspectiva alcançar nos próximos quatro anos, Luciano Rodrigues de Almeida considera que “há margens para reforçar o ensino do Português, nomeadamente na formação de quadros bilingues técnicos”. “Isso irá depender muito do projecto que o Governo venha a definir para o futuro na área do ensino da Língua Portuguesa e da obrigação das instituições de ensino superior públicas implementarem essas políticas”, sublinhou.

Laços reforçados com Universidade de Coimbra

O Instituto Politécnico de Macau (IPM) recebeu uma delegação de alunos e professores da Universidade de Coimbra (UC) com vista a “aprofundar” a comunicação entre as duas instituições. A visita da delegação liderada pelo professor António José Mendes prolongou-se por uma semana. Segundo o jornal “Ou Mun”, o vice-presidente do Conselho de Gestão do IPM, Marcus Im, salientou os laços de cooperação “íntimos” com a UC em “várias áreas académicas e na elaboração de estudos científicos”. Nessa linha, serão envidados esforços para reforçar os contactos com instituições de ensino superior de Portugal, incluindo a UC, para “melhorar a qualidade do ensino académico”. Catarina Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Brasil - Encontro na Universidade de São Paulo reúne escritores de Cabo Verde

O Dia de Cabo Verde na USP acontece na próxima terça-feira, dia 21, a partir das 8h30



O Dia de Cabo Verde na USP será realizado na próxima terça-feira, dia 21 de novembro, das 8h30 às 12h30, no Auditório Nicolau Sevcenko da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP (Avenida Professor Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo). No evento, estarão presentes os escritores cabo-verdianos Jorge Carlos Fonseca – atual presidente da República de Cabo Verde -, Filinto Elísio, Joaquim Arena e Arménio Vieira. A coordenação do evento é da professora Simone Caputo Gomes, do Centro de Estudos das Literaturas e Culturas de Língua Portuguesa (Celp) da FFLCH.



O encontro terá início às 8h30, com mensagens proferidas pelo reitor da USP, professor Marco Antonio Zago, e pelo presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. Em seguida, uma mesa-redonda reunirá os escritores cabo-verdianos para discutir o tema Tendências Contemporâneas da Literatura de Pertença Cabo-Verdiana. Às 10h50, está previsto o lançamento dos livros Silvenius: Antologia Poética, de Arménio Vieira, Zen Limites, de Filinto Elísio, O Albergue Espanhol, de Jorge Carlos Fonseca, e Debaixo da Nossa Pele: Uma Viagem, de Joaquim Arena. Após o encerramento, haverá sessão de autógrafos.

Localizado no Atlântico central, a cerca de 570 quilômetros da costa africana, Cabo Verde é um arquipélago formado por dez ilhas, entre elas Santiago – onde se localiza a capital do país, Praia -, Santo Antão, São Vicente, São Nicolau e Boa Vista. Colonizado pelos portugueses desde o século 15, conquistou a independência em 1975. Hoje o arquipélago tem cerca de 550 mil habitantes. In “Universidade de São Paulo”

PALOP - Cinema africano pode aumentar integração entre falantes de português

Especialista crê que ampliar diálogo fará deixar de existir a pergunta “existe cinema africano?”, que ouviu durante a pesquisa

Entre o passado colonial e a independência revolucionária, do começo de uma nova democracia até um presente cheio de incertezas individuais, o cinema dos chamados Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop) retrata uma realidade conhecida por poucos.

Um estudo realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP analisou uma extensa lista de filmes produzidos nos países lusófonos da África. Para aproximar os brasileiros das nações que compartilham o português como língua oficial, a pesquisadora Marina Oliveira Félix de Mello Chaves catalogou um conjunto de mais de 50 filmes que retratam passado e presente de países como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Ao analisar o mosaico de histórias produzidas em filme, a pesquisadora traduziu elementos que considerou significativos sobre a atual identidade destas nações.



Com a meta maior de construir um acervo que pudesse ser facilmente acessado, Marina questiona a incredulidade com a qual o tema de sua dissertação ainda é visto pelo público geral. Indagada se “existe cinema africano” durante sua pesquisa, a especialista acredita que é preciso ampliar o diálogo para que essa pergunta deixe de existir.

Para ela, é preciso que o cinema produzido na África deixe de ser considerado um nicho. “Cinema africano não tem que ser nomeado somente como africano, ele tem que ser considerado cinema”, afirma ao reforçar que, na sua opinião, temos que inverter um pouco essa relação de que o cinema africano foi resultado apenas de influências externas. “Eles têm sua carga própria e uma força narrativa que pode enriquecer muito os outros”, reforça, ao finalizar com a crença de que assistir mais filmes como os que analisou pode nos ajudar “a mudar o nosso olhar”, reforçando que, apesar de separados por um oceano, não estamos tão distantes.

Um acervo de novos significados

De acordo com o trabalho, no período colonial, o cinema representava um instrumento de propaganda do regime português. Já durante a luta pela independência, o cinema foi usado como uma arma dos movimentos nacionalistas. Nos anos iniciais das novas nações independentes, as produções fortaleceram os interesses dos novos governos. Depois da década de 1990, com a abertura política e o multipartidarismo, começaram a se desenvolver diversos e variados tipos de cinema relacionados com estes cinco países (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), “alguns mais críticos, outros mais voltados ao entretenimento”, destaca ela na dissertação.

Para adquirir os filmes, Marina realizou um verdadeiro trabalho de investigação. Poucos puderam ser comprados em sítios nacionais, alguns foram encontrados em lojas on-line fora do País, mas a grande maioria precisou ser negociada com distribuidoras internacionais e com os próprios realizadores.



Foi assistindo à extensa filmografia que Marina começou a notar similaridades entre filmes portugueses e filmes feitos em Moçambique, por exemplo. Tanto nas temáticas ou em relação às escolhas estéticas, “de repente, eu encontrava conexões inesperadas”, salienta Marina.

Além de enumerar e catalogar o acervo, a pesquisadora tinha como objetivo saber quem era o público desses filmes e como seria possível expandi-lo, até mesmo, por meio de sua própria dissertação. “Eu pensei em formas de apresentar esse cinema como se fosse um guia turístico, uma viagem rápida que pudesse mostrar alguns pontos”, esclarece ela.

Entre as curiosidades do trabalho, Marina se surpreendeu ao enxergar paralelos do cinema africano com cineastas brasileiros como Glauber Rocha ou franceses como Jean-Luc Godard. Não por acaso, revela ela, após a independência, Moçambique criou um instituto de fomento conhecido como Instituto Nacional de Cinema. “Esse instituto reunia todos os profissionais envolvidos na realização de filmes. Cineastas como o próprio Godard e o diretor Rui Guerra foram chamados para dar treinamento aos profissionais locais”, conta ela. “Depois, com o declínio desse projeto [de governo], esse instituto foi cada vez mais abandonado”, conclui.

Percurso

Com formação em Publicidade e Letras, Marina começou a se interessar pelo cinema realizado na África durante a segunda graduação. Por meio de uma iniciação científica, orientada pela professora Fabiana Buitor Carelli, especializada em Estudos Comparados de Literaturas em Língua Portuguesa, Marina começou um catálogo de filmes produzidos em língua portuguesa na África, que desembocou anos depois em um ambicioso projeto de mestrado. A orientadora, que pesquisa o cinema africano há quase 10 anos, é a responsável pelo projeto de Marina. Um grupo de estudiosos sobre o tema tem se formado ao redor da área.

“Parti da iniciação científica, com todo aquele material que coletei, e percebi imediatamente a dificuldade de como organizar e catalogar aqueles filmes para montar um acervo”, relembra Marina. Nas últimas décadas, explica ela, os países africanos passaram por transformações políticas bastante intensas, das quais o cinema foi um importante participante.

“Meu intuito inicial foi discutir sobre os critérios de inclusão ou exclusão de uma cinematografia. Isso acarretaria uma discussão sobre a formação de um cânone [coletânea]”, revela Marina, ao destacar que, aos poucos, percebeu que seria impossível estabelecer critérios fechados antes de falar sobre os filmes propriamente ditos. No decorrer da dissertação, a especialista notou que os elementos que gostaria de pontuar precisavam ser pincelados em uma longa apresentação sobre os vários filmes que reuniu, por meio de diversas fontes.



Um dos primeiros pontos que deixou claros durante seu trabalho foi a necessidade de não segregar geograficamente a produção cinematográfica de cada país. “Não existe apenas o cinema de Angola, cinema de Moçambique, cinema de Cabo Verde”, ressalta ela. “Deparei-me com um volume muito grande de filmes e tentei encaminhá-los para subconjuntos”, conta a pesquisadora. Sua metodologia envolveu separar cada capítulo, que conta com uma lista específica de filmes, em uma fase cronológica comum a esses países. “O primeiro é voltado para filmes anteriores à independência desses países; o segundo são os filmes revolucionários, que estão no centro da luta pela independência; e o terceiro são os filmes que começam no declínio desse projeto”, diz ela, esclarecendo que os filmes contemporâneos não são mais financiados pelo Estado, e sim por patrocinadores, com apoio de países estrangeiros em coproduções, o que permitiu, apenas para esse segmento da dissertação, organizá-los por temática. Denis Pacheco – Brasil in "Jornal da Universidade de São Paulo"

Mais informações: correio eletrónico marina.felix@usp.br

OIT – Existem 152 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil

No seu discurso de abertura à IV Conferência Mundial sobre Erradicação Sustentável do Trabalho Infantil, o Director-Geral da OIT reconheceu os progressos realizados nesta área nos últimos vinte anos, mas advertiu que ainda há um longo caminho a percorrer para terminar com o trabalho infantil em todas as suas formas



BUENOS AIRES - O Director-Geral da Organização Internacional do Trabalho, Guy Ryder, advertiu que ainda há 152 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil e convidou a comunidade internacional a trabalhar em conjunto para alcançar a sua total erradicação até 2025.

No discurso de abertura da IV Conferência Mundial sobre Erradicação Sustentável do Trabalho Infantil, Ryder reconheceu os progressos realizados nesta área nos últimos vinte anos, mas advertiu que ainda há um longo caminho a percorrer para acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas.

“Há ainda 152 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil, ou seja, quase uma em cada 10 no mundo. Destes, quase metade faz trabalho perigoso. Deve ser reconhecido que o progresso feito é muito desigual”, disse Ryder.

O objetivo 8.7 da Agenda 2030 das Nações Unidas procura pôr fim ao trabalho infantil em todas as suas formas até 2025 e o trabalho forçado até 2030.

De acordo com as últimas estimativas da OIT, existem 25 milhões de pessoas em todo o mundo vítimas de trabalho forçado.

"Os objetivos não podem ser mais claros, nem a realidade desconfortável que, se não fizermos mais e melhor, não conseguiremos", advertiu Ryder.

De acordo com o Director-Geral da OIT, a erradicação sustentada do trabalho infantil requer uma abordagem integrada que ataque as causas profundas e sistémicas do trabalho infantil e não se concentre apenas no tratamento de sintomas.

Esta abordagem integrada inclui a aplicação de padrões internacionais relacionados ao trabalho infantil; políticas do mercado de trabalho focadas nas áreas onde a maioria do trabalho infantil é encontrada, isto é, na economia rural e na informalidade; protecção social contra a pobreza e a insegurança e educação universal de qualidade acessível a todos.

A IV Conferência sobre Erradicação Sustentável do Trabalho Infantil ocorreu entre 14 e 16 de novembro, em Buenos Aires, Argentina, foi organizado pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social da Argentina, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho. Organização Internacional do Trabalho