Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 21 de janeiro de 2018

Traidor
















Vamos aprender português, cantando



Quem diria, você
que insistia em dizer
que era conservador

Que iria me dar
mil razões pra te amar
por não ser traidor.

Mas agora teu adeus
pôs um fim nos sonhos meus
e aquela criatura que te amou
não te quer mais.

Em outros braços me envolvi
nossa história já esqueci
quando a gente não cuida de um amor
ele se vai

Vai eternamente olhar pra ela e lembrar de mim.
por toda vida escutar meu canto, eu sei que vai
e será ela que desta vez você vai trair
e ela vai sentir, eu sei que…

Vai eternamente olhar pra ela e lembrar de mim.
por toda vida escutar meu canto, eu sei que vai
e será ela que desta vez você vai trair

Mas agora teu adeus
pôs um fim nos sonhos meus
e aquela criatura que te amou
não te quer mais.

Em outros braços me envolvi
nossa história já esqueci
quando a gente não cuida de um amor
ele se vai

Vai eternamente olhar pra ela e lembrar de mim.
por toda vida escutar meu canto, eu sei que vai
e será ela que desta vez você vai trair
e ela vai sentir, eu sei que…

Vai eternamente olhar pra ela e lembrar de mim.
por toda vida escutar meu canto, eu sei que vai
e será ela que desta vez você vai trair
e ela vai sentir tudo o que eu senti

O tempo já disse tudo e eu me livrei
daquele que me enganava, por quem chorei
a vida já deu pra ela um traidor
e a mim deu uma nova chance e um outro amor


Paula Fernandes - Brasil


sábado, 20 de janeiro de 2018

Estados Unidos da América – História de sucesso em língua portuguesa

José Soares chegou com 14 anos à América sem falar inglês e aproveitou para voltar à escola. Fundou uma empresa de construção e é um benemérito da comunidade

Foi Leslie Ribeiro Vicente, diretora da Discovery Language Academy, quem me falou primeiro de José Soares, empresário da construção civil e grande benemérito da comunidade luso-americana de New Bedford. Ainda se lembra de um dia não haver dinheiro para os livros dos alunos de Português numa antiga escola onde deu aulas e de José Soares a mandar comprar o que fosse preciso que ele pagava. E foi também ela, oriunda do Pico como o empresário, que marcou almoço para os três no Inner Bay (restaurante português, pois claro!), para me apresentar a pessoa que tanto admira, e que encarna mais uma história de português de sucesso na América.

É fácil simpatizar com José Soares, até porque diz logo que se chama assim mas que lá na terra, ou seja em Ribeiras do Pico, ainda o tratam por Zezinho. Recebidos por Tony Soares, que há 20 anos é dono deste Inner Bay quase clube português, sentamo-nos numa mesa à janela e depois de escolhermos um peixinho na grelha, José e Leslie, e polvo à lagareiro, para mim, avançamos com a conversa, que há de ser sobre o percurso de vida deste açoriano de 62 anos, pai e avô de americanos.

"Emigrei com 14 anos com o meu pai e a minha mãe. Como na altura para todos os emigrantes, a intenção era a gente tentar melhorar a vida. A vida nos Açores era um bocadinho dura na época. E havia também a ideia de fugir ao serviço militar. Isto hoje pode não cair bem, mas na altura muitos pais tentavam desviar os filhos dos sacrifícios que estavam a fazer-se no Ultramar", conta José. Para evitar ser chamado a combater em África, o irmão mais velho tinha já em 1966 emigrado para o Canadá.

Confesso que me surpreende a idade com que os pais partiram para a América, à beira dos 50 anos no caso do pai, de nome José como o filho. "Muitas vezes penso no assunto, na idade com que o meu pai emigrou. Ele emigrou com 49 anos. E penso na aventura que teve já com essa idade, principiar uma segunda vida num país estrangeiro sem conhecer a língua. Para eles deve ter sido uma decisão difícil, de sacrifício", diz, contando que o pai já morreu, mas que a mãe está viva. Chama-se Josefina.

"O meu pai, como muitos emigrantes, nos primeiros anos pensava ganhar algum, juntar algum, o máximo possível, para depois regressar à terra. Mas à medida que os filhos vão crescendo, vão casando, começam a mudar de ideias. Por um lado, vão-se habituando à América, por outro, quando vão à terra de visita, veem que as condições não são aquelas a que se tinham habituado. O meu pai sempre teve essa ideia de fazer vida de novo por lá. Quando veio para os Estados Unidos não se desfez da casa nem dos terrenos que tinha. Ele gostava muito de animais, de criar gado, no Pico costuma ser mais animais para carne. Ele tinha essa ideia de uma lavoura", relembra o empresário.

Josefina vive nos Estados Unidos até hoje. É a matriarca de uma família que vai ganhando novas gerações, cada vez mais americanizadas, como é natural. José Soares tem dois filhos, um rapaz e uma rapariga. E três netos. Diz que ambos os filhos se casaram com americanos e em casa falam em inglês, pelo que os netos saberem português vai ser difícil.

"Em casa sempre falámos em português. Os meus filhos podem ter uma conversa em português, mesmo que possam introduzir uma ou outra palavra inglesa se não souberem a nossa. Agora com os netos vamos também tentando fazer a conversa em português, para eles se irem habituando e sei que eles percebem alguma coisa. Não nos respondem em português, mas nós quando lhes pedimos algumas coisas eles correspondem. Sabem o que estamos a pedir", conta.

O empresário picoense casou-se com uma portuguesa, também dos Açores mas de outra ilha. E não a conheceu nem em Portugal nem nos Estados Unidos. "A minha esposa é da Graciosa, tinha emigrado para o Canadá com 9 anos. Como eu tinha o meu irmão Manuel a viver lá em cima visitava-o muitas vezes e ao fim de uns tempos conheci a Maria João, começámos a namorar e casámo-nos, explica, mostrando como é dinâmico este mundo da emigração portuguesa, gente que se habitua a viver entre vários países, esquecendo fronteiras.

José pede uma garrafa de tinto português para os três. O Inner Bay faz questão de estar bem fornecido e por isso a oferta é vasta. Peço que me explique como foi a integração na sociedade americana de um miúdo de 14 anos chegado de uma ilha no meio do Atlântico. "Não falava nada de inglês quando cheguei. Escola era difícil. Fomos ter aulas com outros emigrantes. Intenção era aprender inglês como segunda língua. Mas como éramos todos portugueses, só se falava português, nas aulas, nos jogos. No ano seguinte mudei de escola e lá tive ordem para seguir para o nono ano. Aí é que fiquei preocupado. Era um liceu americano, o Roosevelt. Eu só tinha a quarta classe de Portugal. Na altura nos Açores queria estudar mas também nunca com grande empenho e como não era obrigatório... E com 10 anos comecei a trabalhar. Depois fiquei arrependido e por isso agarrei essa segunda oportunidade de estudar nos Estados Unidos. Completei o liceu e tirei um curso técnico de eletricidade", sintetiza.

A oportunidade de criar uma empresa surgiu da necessidade, como conta o próprio José Soares: "Trabalhei muito, para poder amealhar algum. Nos anos 1970 houve aqui uma crise de emprego. E eu precisava de ganhar dinheiro para as crianças e decidi apostar na construção. A minha empresa é a Bay State Drywall. Temos 84 trabalhadores. Com empreitadas, mais ainda. Dois terços dos nossos funcionários são portugueses. Não se trata de um preconceito. O principal é a pessoa saber trabalhar e ter vontade. Nos últimos cinco anos até temos metido mais latinos do que portugueses. São do México, do Equador, da Guatemala. Desde que saibam trabalhar." Lerei mais tarde, no site da empresa, que Jason, o filho formado em Engenharia, também acabou por integrar a Bay State Drywall, que atua no Massachusetts mas também noutros estados da Nova Inglaterra.

José recorda que o pai, ao chegar à América, "foi trabalhar para uma fábrica de tecidos e com vontade de ganhar mais algum, depois das horas normais, começou a pintar e a fazer manutenção das casas de madeira que há aqui. Fez negócio disso. E eu para ganhar mais trabalhava com ele nas horas vagas".

Sobre se no seu caso sente que aconteceu a concretização do famoso sonho americano, hesita um pouco antes de responder: "Penso muitas vezes se teria conseguido em Portugal o que consegui aqui. Quem gosta de trabalhar, quem tem ambição, também faz a sua vida em Portugal. Mas não ia ter o sucesso que tive cá. Esta é uma terra de oportunidades. Quem faz pela vida consegue. Dou graças a ter tido esta oportunidade de vir para a América. Podia ter tido uma boa vida nos Açores, acredito, mas não o sucesso que tive aqui." E acrescenta que chegou a ter uma empresa em Portugal, nos Açores, mas que a vendeu há dois anos.

Com casa no Pico e na Graciosa, José Soares visita muito os Açores, mas vai também algumas vezes ao continente. E até diz que agora que está "a chegar a uma idade mais madura" vai tentar tirar mais tempo para ir a Portugal, conhecer mais o resto do país. "Já visitei o Norte e gostei. Também o Algarve."

Fico curioso por sabê-lo fã do FC Porto. "Tornei-me adepto do Porto aqui na América. Houve um tempo em que eu ligava pouco ao futebol e em que a rivalidade era entre o Benfica e o Sporting e havia sempre aquelas intrigas, aquele barulho. E eu não gostava desse barulho. Depois, nos anos 1980, o Porto veio cá fazer uns jogos amigáveis, era o tempo do Futre, e ganhei afeição. Depois o Porto começou a ganhar quase tudo", explica o açoriano.

No final do almoço, quando explico de novo esta série de artigos sobre portugueses na América, mostra-se emocionado. "Gosto muito de Portugal. Tenho grande afeto. Vou todos os anos e já me aconteceu ir três vezes num ano. Julho e Agosto passo em Portugal. Tenho casa e barco, tenho uma canoa baleeira, que é muito tradicional no Pico, e passo o verão lá. Fazer vida efetiva em Portugal não. A família está cá. Mas quero levar os netos para conhecerem e tomarem gosto àquilo", diz.

À saída cruzo-me com Tony Cabral, membro da Câmara de Representantes do Massachusetts e uma das figuras mais destacadas da comunidade luso-americana na Nova Inglaterra. Também ele fará parte desta série de reportagens no DN. E ficou comprovado que o Inner Bay é mesmo um ponto de abrigo para os portugueses. Leonídio Ferreira – Portugal in "Diário de Notícias" Reportagem apoiada pela FLAD

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Cabo Verde - Dia dos Heróis Nacionais assinalado com conferência e exposição sobre vida e obra de Amílcar Cabral

São Filipe – O dia dos Heróis Nacionais, 20 de Janeiro, é celebrado este ano no município dos Mosteiros com a realização de uma conferência e exposição sobre a vida e obra de Amílcar Lopes Cabral (n. 12/09/1924 - f. 20/01/1973) e exibição de um documentário cabralista



Segundo o vereador da cultura da Câmara Municipal dos Mosteiros, a conferência e a exposição conta com envolvência dos alunos do 12º ano da escolaridade e das disciplinas de Cultura e de Histórias, sendo que a conferência acontece sexta-feira no auditório Pedro Pires.

Além da exposição sobre a vida e obra de Amílcar Cabral e do documentário cabralista, estão programadas duas comunicações a serem proferidas pelos professores das disciplinas de Cultura e de História, na escola secundária dos Mosteiros, Adilson Barradas e Alexandro Sequeira.

A primeira comunicação é sobre o tema “a luta de libertação nacional e o papel de Amílcar Cabral” e a segundo versa o tema sobre “transição do colonialismo para a independência nacional”.

Já para o dia 20 de Janeiro, sábado, está prevista a realização de uma prova de atletismo, com participação de atletas dos três municípios da ilha e organizada pela Associação Regional de Atletismo do Fogo.

Já no município de Santa Catarina do Fogo e enquadrada na celebração da Semana da República, a edilidade promove sexta-feira, 19 de Janeiro, véspera da celebração do Dia dos Heróis Nacionais, a realização de uma palestra que incide sobre a luta de libertação nacional e a independência de Cabo Verde. In “Inforpress” – Cabo Verde

Guiné-Bissau – Empresa pesqueira da China constrói unidade de processamento e conservação de pescado

A Zhongyu Global Seafood Corporation, uma empresa pesqueira da China, vai construir uma unidade de processamento e de conservação do pescado em Bissau ao abrigo de um memorando de intenções assinado segunda-feira com o governo da Guiné-Bissau.

O compromisso para a edificação das novas instalações, cujo orçamento não foi divulgado, resulta de um acordo assinado entre as partes há 30 anos, altura da instalação da empresa na Guiné-Bissau e, ao longo dos quais, a Zhongyu Global Seafood Corporation realizou vários projectos visando a melhoria da situação alimentar e económica do país.

O documento foi rubricado pelo director-geral da Pesca Industrial guineense, Alcibiades dos Santos e pelo representante da empresa chinesa, Sun Zhi Xiang, tendo ambos na ocasião manifestado a vontade de trabalhar em parceria para garantir maior prosperidade à população da Guiné-Bissau.

“Contribuímos para o enriquecimento do mercado guineense com produtos marinhos e de uma forma positiva na economia do país e na melhoria das condições de vida da população”, acrescentou Sun Zhi Xiang, que destacou que a empresa fornece graciosamente ao governo guineense cerca de mil toneladas de pescado todos os anos.

A Zhongyu Global Seafood Corporation instalou recentemente na ilha de Bubaque uma unidade de produção de gelo com a capacidade de seis toneladas e, até ao fim de Janeiro corrente, vai iniciar a construção de uma fábrica idêntica na ilha de Uracam, ambas no arquipélago dos Bijagós. In “Macauhub” - Macau

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Moçambique - Fotografia moçambicana vai ser objecto de exposição em Portugal

Acaba de ser anunciada a realização de uma exposição sobre fotografia moçambicana no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida na cidade de Évora, em Portugal.

Agendada para Julho deste ano, a exposição terá curadoria de José Alberto Ferreira que acaba também de ser nomeado Director Artístico do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida.

A exposição pretende ser uma mostra da fotografia em Moçambique combinando obras de fotógrafos emblemáticos como Ricardo Rangel e José Cabral e de representantes das novas gerações como Mauro Pinto, Filipe Branquinho ou Félix Mula.

José Alberto Ferreira esteve recentemente em Moçambique no âmbito do trabalho preparatório para a exposição. In “Olá Moçambique” - Moçambique

Moçambique e Zimbabwe dinamizam cooperação

Moçambique e o Zimbabwe manifestaram, ontem, a intenção de reforçar as relações de cooperação bilateral nas áreas política, económica, económica e diplomática

Maputo - A intenção foi manifestada à imprensa pelos Presidentes dos dois países, respectivamente, Filipe Nyusi e Emmerson Mnangagwa, no final de três horas de conversações bilaterais, à porta-fechada, que marcaram a visita que o estadista zimbabweano efectuou nesta quarta-feira ao país.

"Os nossos países devem continuar a trabalhar juntos para trilhar o caminho do progresso" disse o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, no seu discurso de ocasião, chamando o sector privado dos dois países, para ser mais activo na exploração das oportunidades e potencialidades existentes.

"É preciso sermos ousados na busca de parcerias para a exploração das oportunidades existentes" disse Nyusi, dando como exemplo, o sector dos recursos naturais.

Para além das históricas relações na área político-diplomática, Moçambique é dos principais fornecedores da energia eléctrica para o Zimbabwe. A par deste serviço, Harare tem no Porto da Beira, uma das soluções para o seu comércio com o mundo.

Emmerson Mnangagwa disse, por sua vez, que os dois países precisam de dar outra dinâmica a cooperação, apostando numa parceria que privilegie resultados.

O Estadista zimbabweano falou, sem detalhar, sobre acordos assinados que, no entanto, não foram materializados e exortou para que a nova fase de cooperação que agora inicia, seja diferente da anterior.

"Nós vamos exigir resultados. Não queremos mais trabalhos ministeriais que não tragam resultados palpáveis. Queremos que os nossos ministros sejam proactivos e nos tragam resultados" vincou Mnangagwa.

Paralelamente à cooperação bilateral, Mnangagwa falou do processo de transição que afastou Robert Mugabe do poder. Segundo ele, a transição foi e continuará a ser pacífica e o seu antecessor e seu legado serão preservados e tratados com a devida consideração.

Sobre as eleições gerais previstas para este ano, numa data ainda por anunciar, Mnangagwa assegurou que estas vão obedecer os padrões democráticos e de transparência e liberdade, previstos pelos princípios da SADC e União Africana. In “Folha de Maputo” - Moçambique

Madeira - Quatro maiores armadores do mundo têm navios registados no MAR

Registo Internacional de Navios da Madeira já ultrapassou o meio milhar de embarcações

Os quatro maiores armadores do mundo têm navios registados no Registo Internacional de Navios da Madeira (MAR), anunciou a Alphaliner, uma reconhecida consultora internacional na área do shipping.

A presença da APM-Maersk, da MSC – Mediterranean Shipping Company, da CMA CGM Group e da Cosco Shipping no MAR é encarada com satisfação pela Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM), tendo em conta o seu impacto na reputação internacional do Registo de Navios da Madeira que contava, no final de Outubro deste ano, com um total de 562 embarcações registadas, entre navios de comércio, embarcações de recreio e iates comerciais.

“Estes indicadores sublinham o trabalho que tem sido feito no sentido de aumentar a credibilidade do MAR e a sua competitividade internacional, bem como prova de que este registo português é capaz de ombrear com os maiores registos europeus e mundiais”, afirma Roy Garibaldi, Membro da Comissão Executiva da SDM.

De referir que estão registados no MAR a grande maioria dos navios de marinha mercante de pavilhão português. Recentemente a inclusão destas embarcações no índice Qualship 21 da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América foi considerada pela Sociedade de Desenvolvimento da Madeira como um avanço muito positivo, já que se trata de um índice que atesta a conformidade dos navios com os requisitos internacionais de qualidade e segurança, cuja certificação é válida para os portos norte-americanos, e que reconhece os pavilhões com navios menos sujeitos a inspecções por parte das autoridades locais de Port Sate Control. Patrícia Gaspar – Portugal in “Jornal Económico”