Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Macau – Universidade da Cidade de Macau aposta no estudo dos países lusófonos

No próximo ano lectivo, a Universidade da Cidade de Macau (UCM) vai abrir duas turmas de Mestrado e uma de Doutoramento em Estudos dos Países de Língua Portuguesa. Para Ivo Carneiro de Sousa, coordenador dos cursos, Macau é o “melhor laboratório” para desenvolver “estudos de área” sobre os países lusófonos, pelo que já está a ser pensada a abertura de uma licenciatura neste campo em 2018/2019 e um pós Doutoramento em 2020


A Universidade da Cidade de Macau (UCM) vai abrir em Setembro um curso de Mestrado e Doutoramento em Estudos dos Países de Língua Portuguesa, iniciativa pioneira à escala mundial que visa desenvolver os países de língua portuguesa no domínio dos “estudos de área” por “partilharem a mesma língua oficial e por se relacionarem em termos internacionais usando essa unidade da língua”, explicou o coordenador dos cursos, Ivo Carneiro de Sousa, ao Jornal Tribuna de Macau.

“O argumento que temos utilizado é que, academicamente, trata-se de uma area studies e queremos desenvolver a investigação desta área utilizando o equipamento normal, isto é, o conjunto das ciências sociais para estudar, comparar, contrastar os países, os temas e problemas que existem nesses países com essa instrumentação”, explicou o docente.

“Acreditamos que Macau tem condições históricas e prosperidade financeira para poder permitir esses estudos e tem o lado importante de não haver ressabiamentos”, disse. Em termos práticos, Ivo Carneiro de Sousa aponta dois argumentos que validam o tratamento dos países de língua portuguesa enquanto matéria com interesse académico, sobretudo na RAEM. “Macau é o melhor laboratório para se investigar sobre isto porque tem uma história de relações com o mundo todo até meados do século XIX”, além de oferecer “condições privilegiadas históricas para desenvolver investigação académica sem ter problemas de ressabiamentos coloniais ou pós-coloniais” e ser plataforma entre as duas partes.

“O objectivo destes cursos consiste na publicação da investigação nos melhores jornais académicos em inglês” até porque, “se não se publicar nestas grandes revistas o que se está a investigar não existe como ciência”, vincou o docente.

Os cursos são veiculados em inglês e os alunos que “não são de língua portuguesa têm de completar dois anos de Português, para aprender os termos necessários para ler documentos técnicos” nessa língua, apontou. No caso do Doutoramento, a UCM vai “facultar uma ida de três meses a qualquer país de língua portuguesa que [o aluno] esteja a estudar para que haja realmente trabalho de campo”.

Esse trabalho de campo será apoiado através de bolsa, ao fim de dois anos e meio de estudos teóricos. “Têm de estar preparados para ir ao terreno para investigar. Isto está a ser feito através de acordos com universidade e institutos que possam receber os alunos”, acrescentou.

Devido à grande adesão, será necessário abrir duas turmas (20 alunos cada) de Mestrado e uma de Doutoramento no máximo com 20 estudantes até porque não há “condições de supervisão” para mais. “Até agora já entregámos a resposta a 14 alunos de doutoramento e a 27 para o Mestrado”, adiantou, revelando ainda que até Junho estão agendadas mais entrevistas em Zhuhai. “O número de candidatos é cinco vezes a oferta que temos”, sublinhou.

Na sua grande maioria, os candidatos são “assistentes em universidades chinesas”. “Percebemos pelas entrevistas que estes candidatos procuram fazer um doutoramento fora da China aproveitando o facto de ser mais barato estudar em Macau do que em Hong Kong (...) e, em segundo lugar, o acesso a todas as fontes e sites, o que em Ciências Sociais é muito importante”, disse.

Por outro lado, “também há candidatos locais, incluindo de diferentes países de língua portuguesa”, embora 60% dos seleccionados sejam chineses do Continente. “Temos entrevistado, por Skype, candidatos de Angola e Moçambique mas só vamos decidir quando terminarmoso processo de entrevistar os locais”.

O corpo docente será constituído por pessoal local e convidado. “Vamos ter um professor de Timor-Leste, que por acaso é actualmente o Ministro da Economia, dois de Moçambique, um de Brasília e do Rio de Janeiro, um de Angola e dois de Portugal”, disse.

Licenciatura é o próximo passo

Uma das razões pelas quais a UCM está a apostar nesta abordagem académica prende-se muito com o facto de “não haver investigação científica” neste campo em termos institucionais. “Macau é oficialmente uma plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Para nós, em termos científicos, existem ‘muitos menos’ nessa ideia de plataforma. Há coisas estranhas: Como é que as indústrias do jogo - que ‘pagam’ Macau - não são mobilizadas para a plataforma quando há mais de 200 portugueses que são directores de recursos humanos, engenharia, segurança, entre outros?”, questionou Ivo Carneiro de Sousa.

Nestes moldes, e também para criar uma “base” que suporte estes cursos de Mestrado e Doutoramento, a Universidade da Cidade de Macau vai abrir, no ano lectivo 2018/2019, uma licenciatura para garantir que há “alunos locais comprometidos” com esta área. “É preciso porque, caso contrário, os cursos serão dominados pelos alunos da China Continental que sabem o que querem e que vão fazer carreira nesta área. É preciso alimentar Macau, as empresas, o Governo, centros de investigação, entre outros”, revelou o docente.

Segundo explicou, a licenciatura será em Relações Internacionais mas com especialização nos Países de Língua Portuguesa e a sua relação com a China. “Os alunos têm de estudar a história desses países, a diplomacia, relações políticas e estratégicas desses países”, contou. Posteriormente, os melhores alunos serão canalizados para o Mestrado. Nesta estratégica, em 2020, deverá abrir um Pós-Doutoramento na mesma área, revelou Ivo Carneiro de Sousa.

Esta aposta, que começa com Mestrado e Doutoramento, tem como finalidade “convencer o sistema científico global - revistas, universidades e centros de investigação - que o estudo dos países de língua portuguesa é um domínio tão académico como o da lusofonia”, vincou.

Os dois cursos forsm apresentados ontem no campus da UM, na Taipa, num dia em que também se celebrou África. Catarina Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Parlamento Europeu - Projeto polaco vence Prémio Carlos Magno para a Juventude

O programa de rádio polaco “Erasmus Evening” venceu a última edição do Prémio Carlos Magno para a Juventude, a 23 de maio, na Alemanha



O Prémio Carlos Magno para a Juventude é uma iniciativa conjunta do Parlamento Europeu e da Fundação Internacional Prémio Carlos Magno, em Aachen (Alemanha). É atribuído anualmente a projetos levados a cabo por jovens entre os 16 e os 30 anos que promovam o entendimento, fomentem o desenvolvimento de um sentido partilhado da identidade europeia e ofereçam exemplos práticos de europeus que vivem juntos formando uma comunidade.

Os vencedores da edição de 2017 foram anunciados durante uma cerimónia, esta terça-feira, 23 de maio em Aachen, na Alemanha.


Os vencedores de 2017

O primeiro prémio foi atribuído ao projeto polaco “Erasmus evening” (Noite Erasmus). O programa de rádio da Universidade Adam Mickiewicz entrevista estudantes polacos a estudar no estrangeiro e estudantes estrangeiros a estudar na Polónia para dar resposta às questões mais frequentes sobre o programa e o dia-a-dia dos universitários.

O segundo prémio foi atribuído ao projeto dinamarquês “Re-discover Europe” (Redescobrir Europa), um evento organizado na cidade eurocética de Aalborg, na Dinamarca, para dar conhecer mais sobre a Europa aos cidadãos.

O terceiro prémio foi atribuido ao projeto neerlandês “Are we Europe” (Somos Europa), uma plataforma multimédia onde os jovens podem apresentar as suas histórias e experiências enquanto cidadãos europeus.

Os três projetos receberam ainda um prémio monetário no valor de €7 500, €5 000 e €2 500 respetivamente.

Portugal

Os representantes dos 28 projetos vencedores a nível nacional também marcaram presença na cerimónia. Portugal estava representado com o projeto Fórum Euro-Ibero-Americano da Juventude organizado em Braga em agosto de 2016. In “Parlamento Europeu”

Mais informações sobre o Prémio Europeu Carlos Magno para a Juventude aqui

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Uma nova agenda para o Mercosul

SÃO PAULO – Houve uma época em que as grandes economias ocidentais – Estados Unidos e União Europeia (UE) – queriam abrir seus mercados e, em contrapartida, esperavam encontrar mais espaço para colocar seus produtos nos demais países, inclusive nos sul-americanos. Essa época coincide com a abertura em 1999 das negociações entre a UE e o Mercosul. Antes disso, em 1990, houve a proposta norte-americana para a formação da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), ao tempo de George Bush, pai, que previa a sua entrada em funcionamento até 2005.

Como se sabe, não houve muita receptividade por parte das nações do Cone Sul para nenhuma das propostas. A Argentina sempre foi um país muito fechado – tanto que ainda hoje suas exportações representam 15% do seu Produto Interno Bruto (PIB), menos que o resto dos países da região –, com pouca inversão estrangeira, o nível mais baixo da região, e nunca se mostrou aberta ao diálogo. O Brasil, por sua vez, à época de Fernando Henrique Cardoso, mostrava-se mais aberto a entendimentos, até à chegada de Lula à presidência da República, em 2003, quando optou pela chamada cooperação Sul- Sul, que privilegiava a colaboração com os países do Terceiro Mundo.

O resultado disso foi que o Mercosul virou um fórum de debates político-ideológicos e tanto Brasil como Argentina trabalharam nos bastidores pelo fracasso da Alca. Já as negociações com a UE para a assinatura de um acordo de livre-comércio arrastam-se por quase duas décadas.

Como a vida se faz em ciclos, hoje, os papéis se mostram invertidos. O Brasil, com o presidente Temer, e a Argentina, com o presidente Mauricio Macri, defendem maior inserção de seus países no mundo, mas, desta vez, são Estados Unidos e UE que não estão muito dispostos a conversas. Com Trump, os Estados Unidos adotaram uma política isolacionista e ameaçam até implodir o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês), que reúne também Canadá e México. Já a UE vive momentos de indefinição, com eleições em vários países e uma onda de protecionismo, especialmente na França, onde as empresas agropecuárias temem a concorrência dos produtos sul-americanos.

Em função disso, o Mercosul perdeu velocidade nos últimos anos, passando por uma fase de esgotamento. Portanto, necessita urgentemente de uma nova agenda, que poderia incluir um acordo com a Aliança do Pacífico (México, Peru, Chile e Colômbia). No mais, só lhe resta apostar na próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista para dezembro em Buenos Aires, e aproveitar, quem sabe, a abertura que se vê na Ásia, especialmente nos países do Pacífico.

Seja como for, a OMC prevê que em 2017 o comércio internacional crescerá 2,5% em relação a 2016, período em que o crescimento foi de 1,6%. Como os preços estão estabilizados, o Mercosul precisa se remodelar e mostrar-se mais unido para aproveitar esse momento. Milton Lourenço - Brasil

____________________________________

Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 23 de maio de 2017

Macau - RAEM acolhe Fundo para Lusofonia a 1 de Junho

A mudança, de Pequim para Macau, da sede do fundo chinês de mil milhões de dólares destinado a investimentos de e para os países lusófonos vai realizar-se a 1 de Junho, anunciou o Governo da RAEM



O Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, adiantou que a cerimónia de inauguração na RAEM da sede do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa vai realizar-se durante o VIII Fórum Internacional sobre Investimento e Construção de Infraestruturas, que decorre a 1 e 2 do próximo mês.

O presidente do Fundo, Chi Jianxin, avançou, em Outubro, à agência Lusa, que a sede do fundo ia ser transferida de Pequim para Macau com o objectivo de facilitar a divulgação e o contacto junto dos potenciais interessados.

De acordo com Lionel Leong, numa primeira fase, a sede do fundo vai ficar localizada no centro de apoio empresarial do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e, posteriormente, vai mudar-se para o futuro “Complexo de Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Aquando da V Conferência Ministerial do Fórum Macau, em Outubro último, o Primeiro-Ministro chinês, Li Keqiang, assistiu à cerimónia de descerramento da placa do referido complexo, ainda por construir. Segundo o Governo da RAEM, o descerramento da placa simbolizou “o novo patamar para Macau na criação da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os países de língua portuguesa”.

Lionel Leong sublinhou que a mudança da sede do fundo para Macau, que tinha descrito anteriormente como uma “prenda” de Pequim, constitui “um passo importante no reforço de Macau como ‘plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa’”. De acordo com uma nota oficial, o Secretário espera que as empresas do território e do Interior da China “aproveitem bem esta oportunidade e o Fundo para que as actividades de investimento e de comércio nos países de língua portuguesa corram bem”.

O complexo, além de ir ser o palco para o Fórum Macau, vai albergar o Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa, o Centro de Serviço Empresarial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o Centro de Formação, o Centro de Informações, e um Pavilhão sobre Relações Económicas, Comerciais e Culturais entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Com uma área de 14200 metros quadrados, o complexo, que ainda não tem uma data de abertura prevista, terá também um Pavilhão de Exposição alusivo ao desenvolvimento urbanístico de Macau e irá disponibilizar “escritórios temporários e permanentes para os serviços públicos, organismos e as associações da China e dos países lusófonos envolvidos na construção da plataforma e organização do Fórum, segundo dados revelados anteriormente.

Em Fevereiro, após a primeira ronda do concurso público da empreitada de concepção e construção, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transporte indicou que, segundo as estimativas, a obra poderia ter início no segundo semestre e que o prazo máximo de execução era de 600 dias. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Galiza - Imagina

Ao escrever um artigo como este imagino a pessoa que o vai ler. Penso em alguém a falar galego a quem causa estranheza esta forma de ver escrita a sua língua. Para mim também foi um desafio, no seu dia, ler textos assim porque fum educado, como ela, em que esta ortografia e esta língua eram estrangeiras. No entanto, eu pediaria-lhe um pouco de paciência. Talvez descubra um relato novo para a sua língua e quem sabe se melhor que o que lhe foi transmitido.

Do que leva lido até agora é provável que lhe provoquem ruído palavras como escrever, alguém ou estranheza. Talvez, imagino, nas aulas de Língua Galega tenha deparado com estas palavras ao tratar a literatura medieval mas o certo é que já estamos no século XXI.

Agora as pessoas realizamos muitas tarefas com o idioma que não eram possíveis na Idade Média. Para começar, porque daquela a imensa maioria das pessoas não sabia ler. Como agora sabemos decifrar um texto escrito, podemos fazer um sem-fim de tarefas: procurar informação na Internet, usar as Apps do telemóvel ou ler as legendas dos filmes e saber de que tratam. Ora, nem tudo é ler. O idioma serve também para as nossas crianças desfrutarem com desenhos animados, os adultos chegarem a um lugar usando o GPS e todos, adultos e miúdos, sermos seduzidos por jogos em formato eletrónico.

Há quem diga, e é possível ser assim, que as línguas ausentes nesses formatos do séc. XXI vão ter dificuldades para garantir a sua presença nas gerações vindouras. E eu pergunto à pessoa que me lê, será capaz de nos sobreviver a língua da Galiza?

Imagino que te diriam que sim mas pensarás que não. Ora, repara num aspeto importante. Se foste capaz de chegar até aqui na tua leitura, com maior ou menor dificuldade, quer dizer que tens o potencial de fazer muitas cousas com o teu idioma que te ensinaram que só eram possíveis em castelhano. E aqui entra o relato da língua galega, aquilo de que é local e que não serve para muito. Ora, os relatos podem-se reescrever. Devem, de facto, ser reescritos.

Einstein, o físico, afirmava que fazer todos os dias o mesmo e esperar resultados diferentes é prova de pouca saúde. Teremos pouca saúde a respeito da língua?

Eu imagino que as políticas linguísticas do séc. XXI integrarão as outras variedades da nossa língua bem como as suas sociedades, Brasil, Portugal ou Angola. Isto vai aumentar o bem-estar da nossa sociedade e fortalecer o nosso idioma milenar. Imagino que, da mesma forma que sabemos o nome de personalidades que se expressam em espanhol em lugares que nunca visitaremos, saberemos quem é Pepetela, Luís Filipe Rocha ou Adriana Calcanhoto e desfrutaremos da sua obra. Imagino que se alguém quer viver em galego o poderá fazer, sobretudo as crianças. Imagino que tenhamos do galego a mesma visão alargada e otimista em que fomos educados a respeito do castelhano.

Ora, do que se trata é de que tu também o imagines porque quantos mais formos a imaginar, criaremos antes essa realidade. E, como sabes, temos pouco tempo.

Em se tratando de imaginar, imagino que se este artigo ganhar e sair publicado nos meios de comunicação colaboradores (1), ninguém pedirá para alterar a sua ortografia dado que já estamos no séc. XXI e não podemos fazer todos os dias as mesmas cousas… e esperar resultados diferentes. Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”

   (1)   - Este artigo foi apresentado foi apresentado ao XIII Prémio a artigos jornalísticos normalizadores do Concelho de Carvalho.


Valentim Fagim, Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP.

domingo, 21 de maio de 2017

Cabo Verde – Qualidade e acessibilidade dos sistemas de saúde no mundo

Andorra, do continente europeu, é o país com melhor qualidade dos sistemas de saúde do mundo. Já a República Centro Africana é o pior do ranking global. Portugal lidera os países da lusofonia, situando-se na 26ª posição da lista geral. Cabo Verde é a excepção do continente africano, contrariando a tendência com 62 pontos e uma classificação a meio da tabela geral. Estes dados constam do recente estudo da revista britânica “The Lancet”, que publicou a lista dos 20 melhores e piores países do mundo no tocante ao acesso e sistema de cuidados de saúde a nível mundial

A revista médica britânica “The Lancet” publicou a lista da qualidade dos sistemas de saúde no mundo. “O estudo abrange 195 países” e revela que o fosso entre os melhores e os e os piores tem vindo a aumentar desde 1990.

O relatório é baseado num indicador que mede a qualidade e a acessibilidade aos cuidados de saúde. O desempenho dos países é classificado numa escala de 0 a 100, de acordo com as taxas de mortalidade devida a 32 doenças que podem ser evitadas, teoricamente por uma resposta rápida do sistema de saúde.

“Andorra - pequeno país europeu localizado na cordilheira pirenaica entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França- é o território do globo onde há mais qualidade de cuidados de saúde”. O país recebe neste estudo 95 pontos.

Em contrapartida, a “República Centro Africana, com apenas 29 pontos, fica classificada como país com o pior sistema de saúde” no mundo.

Portugal lidera Lusofonia

Conforme o mesmo estudo, Portugal surge na vigésima sexta posição, acompanhado do Chipre, Qatar, Malta, República Checa e Reino Unido - todos com 85 pontos -, cinco lugares antes dos Estados Unidos.

No caso português, a classificação é prejudicada pelas notações baixas nos tratamentos de infeção respiratórias inferiores; leucemia; cancro da pele não melanoma, doenças cardiovasculares; hérnias inguinais e abdominais; doenças crónicas dos rins e efeitos adversos de tratamentos médicos.

Entre 1990 e 2015, o fosso entre os países que prestam melhores cuidados de saúde e os que revelam as maiores deficiências tem vindo sempre a crescer. No geral, os países da Europa ocidental situam-se nos lugares cimeiros da classificação e a África subsaariana e a Oceânia ocupam as últimas posições.

Cabo Verde excepção em África

Revela o estudo que Cabo Verde é a excepção do continente africano, contrariando a tendência com 62 pontos e uma classificação a meio da tabela.
 
Angola surge mais abaixo, com apenas 41 pontos, revelando como principais problemas a tuberculose, as diarreias, cuidados neonatais e maternais.

O Brasil, com 65 pontos, tem nos cuidados neonatais o seu ponto negro.

A Coreia do Sul, a Turquia, o Perú, a China e as Maldivas foram os países que registaram as melhorias mais significativas no sistema de saúde, nos 15 anos abrangidos pelo estudo.

Segundo conclui a revista médica britânica “The Lancet”, os cinco países onde a saúde é de melhor qualidade são Andorra, Islândia, Suíça, Suécia e Noruega.

Lista dos 20 melhores países:

Andorra, Islândia, Suíça, Suécia, Noruega, Austrália, Finlândia, Espanha, Holanda, Luxemburgo, Japão, Itália, Irlanda, Áustria, França, Bélgica, Canadá, Eslovénia, Grécia, Alemanha e Singapura.

Lista dos 20 piores países:

Togo, Etiópia, Madagáscar, Moçambique, Benin, Uganda, Burkina Faso, Costa do Marfim, Serra Leoa, Niger, Burundi, RD Congo, Sudão do Sul, Guiné, Haiti, Eritreia, Chad, Guiné-Bissau, Somália, Afeganistão e República Centro Africana. In “A Semana” – Cabo Verde com “The Lancet”

Cabo Verde - Zona Económica Especial na ilha de São Vicente apoiada pela China

A China vai apoiar a criação de uma Zona Económica Especial ligada ao mar na ilha cabo-verdiana de São Vicente, um projeto que o governo cabo-verdiano acredita estará concluído até ao final da legislatura

A decisão de apoiar o projeto, que tinha sido apresentado pelo primeiro-ministro cabo-verdiano ao seu homólogo chinês durante o Fórum Macau, em outubro, foi confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, ontem (20), na cidade da Praia, durante uma reunião com o chefe da diplomacia cabo-verdiana, Luís Filipe Tavares.

"A China vai apoiar a criação da Zona Económica Especial de São Vicente, um projeto na área da economia marítima muito importante para o país, que tem o apoio total e incondicional do governo chinês", disse Luís Filipe Tavares.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde anunciou que o Governo chinês irá financiar também a construção de uma nova maternidade em São Vicente, para servir a região norte do país.

Durante o encontro, os dois ministros passaram em revista a cooperação económica e política entre os dois países, atualmente traduzida em 12 projetos, num valor estimado de 30 milhões de euros.

Luís Filipe Tavares adiantou que Cabo Verde vai começar agora a fazer o estudo de viabilidade económica dos projetos da Zona Económica Especial e da maternidade, estimando que estejam a funcionar até final da legislatura.

"Há uma firme vontade e uma decisão de apoiar estes projetos de Cabo Verde, nomeadamente a Zona Económica Especial que vai transformar São Vicente num grande centro de economia marítima e criar milhares de postos de trabalho", disse.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi lembrou que a cooperação chinesa tem sempre em atenção as necessidades do país, garantido o apoio necessário aos projetos cabo-verdianos.

"A economia chinesa começou a descolar a partir da criação das Zonas Económicas Especiais. Temos experiências consolidadas, boas e bem-sucedidas e capacidade para as construir. Se Cabo Verde quiser podemos fazer uma parceria importante na construção da zona de São Vicente", disse.

O chefe da diplomacia chinesa sublinhou a importância da posição geográfica de Cabo Verde, adiantando que o Governo cabo-verdiano "manifestou vontade de participar na iniciativa "Uma faixa, Uma rota", do Governo chinês.

A iniciativa, também conhecida como a "Nova Rota da Seda", pretende recriar a Rota da Seda que uniu a China aos mercados ocidentais durante séculos.

Na prática, trata-se de um conjunto de percursos ferroviários e rodoviários, oleodutos e portos, que se estendem da China até à Europa, com percursos alternativos que passam por países do Sul da Ásia, Índia, Irão e Turquia, e chegam à África.

Mais de meia centena de países aderiram à ideia, que é encarada por outros como uma iniciativa imperialista da China.

Além da reunião como o homólogo cabo-verdiano, o ministro chinês tem encontros de cortesia agendados com o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva e com o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca. In “Correio das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”